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Debruçada sobre livros e inúmeros outros tipos de veículos informativos, Lais se punha a especular sobre a própria especulação. Quando se cansava de tal atividade solitária, gostava de tagarelar e gargalhar e rir e sorrir e brincar com os amigos. Saciada de prosas e risos, entregava-se ao mais vermelho (ou seria dourado?) dos vícios – o amor ensinado por Eros, ou teria sido Baco? Então, voltava a se debruçar sobre sedas, almofadas e tapetes, junto de seu noivo. E ambos se punham a degustar vinhos e pães e queijos e charutos de folha de uva. E iam se desmanchando e se entesando entre tragos e goles e beijos – muitos beijos!
Apesar de ser uma mulher de raro traquejo e sociabilidade, Lais evitava os chatos, por uma obvia razão – preferia não se desgastar. Assim sendo, foi muito criteriosa ao selecionar aqueles que viriam a integrar o grupo de investigadores de um difícil caso – o desaparecimento de uma valiosa peça do acervo do Museu do Cairo. Um par de pequenas múmias de terracota, s/ data, autor desconhecido e suspeita de ter sido produzida como suvenir, durante a revolução industrial no Antigo Egito.
Era 14 de maio de 2007, quando, o grupo de investigadores aguardava, no calabouço do Museu, a chegada da Dama que abre a pequena porta branca e surge com um largo sorriso nos lábios e um hibisco na lapela de seu guarda-pó. A primeira palavra que pronunciou naquela manhã foi “ONITORRINCO”.
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p.s. Este texto será acrescido de dois parágrafos, no futuro próximo.

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